Terça-feira, 15 de Abril de 2008

A verdadeira vanguarda do atraso

Não existe jornalismo neutro. Como norma, todo jornalista tem sua opinião, assim como toda a empresa jornalística tem a sua própria. Empresas modernas e saudáveis abrem espaço para jornalistas que não comunguem com suas próprias posições (da empresa) para darem ao público em geral uma visão minimamente variada dos fatos. Por isso, mesmo em jornais tradicionalmente conservadores é possível encontrar repórteres, editores e colunistas de posições avançadas. Aliás, foram os jornais mais conservadores que abrigaram maior número de perseguidos pelo regime militar, no Brasil. Saudável contradição.
 
Nem todo conservador é sacana, e vice versa. Uma das maiores lições que aprendi com meu pai e com José Lutzenberguer (ambos repetiam muito isso) foi esta: a grande maioria de nossos adversários não tem as posições que tem por má fé ou má intenção, e sim por convicção. Assim como nós. Eles acreditam tanto nas deles quanto acreditamos nas nossas próprias idéias. Em conseqüência, é preciso exercitar sempre a difícil arte do diálogo tolerante.  Verdade que é muito difícil ser tolerante quando o adversário avança com tacapes na mão, mas a tentativa não deve ser descartada logo à primeira pancada.
 
Jornalistas como Lasier Martins e Políbio Braga têm tanto direito de ter e de exprimir suas posições quanto nós as nossas. Nenhum dos dois é burro, nenhum deles é sacana. E são muito diferentes entre si, o que não vem ao caso no momento. O texto publicado no post abaixo, de autoria de um professor da Universidade de Pelotas, é sobre um programa de Lasier. O texto que vai logo aqui abaixo, neste mesmo post, é do próprio Políbio Braga, publicado em sua “newsletter”. Os dois giram sobre a liberação da tal de silvicultura no Rio Grande do Sul.
 
Sobre o programa de Lasier, comenta o professor. Sobre o texto de Políbio, vou me limitar a transcrevê-lo, quase sem comentários. Quero apenas deixar registrado que ele foi salvo em um DVD e entregue a meu filho e a quatro sobrinhos, com a incumbência de em 30 anos divulgá-lo na rede, ou no que a suceder, junto com o resto do material divulgado neste blog de seu início até agora. Três décadas não são pouco, mas também não são demais. Em três décadas, os “modernos” escravagistas da Europa e dos Estados Unidos haviam sido patrolados pelos que chamavam de “inimigos do progresso”. O Brasil, claro, precisou de mais tempo, aqui os “progressistas” sempre precisam de mais tempo para rever seus conceitos. Mas hoje nenhum país minimante civilizado tem escravos.
 
Com a questão ambiental certamente será assim. Em breve chegará o tempo em que até aqui no Brasil os “progressistas” vão perceber que a conservação de um meio ambiente saudável, de uma biodiversidade variada, são fundamentais para a própria preservação de nossa sociedade. Poderá ser tarde, talvez não, mas eles vão perceber. Então, toda esta discurseira “progressista” de hoje, que nada mais é do que a verdadeira vanguarda do atraso, expressão que eles tanto gostam de usar, terá sido varrida para o lixo. Difícil vai ser fazer as correções então urgentes e necessárias dos problemas que ela tiver provocado. Mas se algum consolo ns resta, é o de que o planeta sobrevive, sempre. Sobreviveu à primeira grande extinção, e a vida voltou renovada, sobreviveu à segunda grande extinção, que levou os dinossauros, e a vida voltou renovada, e sobreviverá à terceira, provocada por processos naturais apressados pela agressividade humana. Mas a vida certamente voltará, renovada.
 
Nós é que não estaremos mais aqui. 
   
Hoje os "desenvolvimentistas" estão festejando a destruição dos ecossistemas gaúchos, não pela instalação das papeleiras – isto seria plenamente possível – mas por sua instalação desordenada, violenta e com legalidade imposta à força, de uma forma que nenhuma destas empresas conseguiria fazer em seus países de origem. E a culpa nem é delas. A culpa é nossa, que qual silvícolas assistimos nossos chefes entregarem de bandeja nossas riquezas a troco do que de imediato parece ter muito valor, mas que no longo prazo se revelará, como sempre, nada mais do que miçangas. Leia o texto de Políbio, que será reproduzido daqui a 30 anos com base para um debate das gerações que ainda estiverem por aí

 

A Aracruz, com seus US$ 2,8 bi, é só o começo

Nesta segunda-feira a tarde, a equipe desta página foi atrás da informação sobre os investimentos da Aracruz no RS. Nesta terça-feira, a empresa anunciou simultaneamente em Porto Alegre e em São Paulo, investimentos enormes, algo como US$ 2,8 bilhões na sua atividade de base florestal do Estado. As obras terão início no segundo semestre, ao longo de todos os desembolsos gerarão 10 mil empregos (a FGV tem cálculos que demonstram que serão gerados 50 mil empregos diretos e diretos) e basicamente ampliarão a capacidade da fábrica de Guaíba para 1,8 milhão de toneladas anuais de celulose. Para isto, claro, vastas extensões de terra e milhares de parceiros serão mobilizados para plantar novas florestas e portos moderníssimos (US$ 130 milhões) surgirão no rio Jacuí e na Lagoa dos Patos.

. Trata-se do maior investimento realizado no RS em toda a sua história e corresponde ao que foi colocado na GM e no Pólo Petroquímico somados. Só com florestas a Aracruz investirá US$ 630 milhões.

. A Aracruz é a única fábrica de celulose do Estado, mas em breve terá a companhia de outros dois gigantes, a VCP e a Stora Enso, cujos investimentos poderão chegar, cada uma, a valores de mais de US$ 2 bilhões.

. No total, serão mais de US$ 6 bilhões, algo jamais visto no RS e que mudará radicalmente o paradigma da economia da Metade, a mais pobre do Estado.

. A Metade Sul fará um up grade jamais visto em 250 anos, mesmo depois do desembarque da soja.

. Atrás das novas florestas e da celulose, virão o papel, a madeira aglomerada, o MDF, as gigantescas madeireiras automatizadas, os móveis e o material para construção. E tudo em escala gigante para consumo interno e colocação no mercado mundial. E mais emprego e renda em proporções jamais vistas no RS.

. O nome de toda a parada é a conquista de escala mundial de produção e comercialização.

. Coube à governadora Yeda Crusius levar o anúncio para dentro do Piratini. Yeda foi decidida e corajosa ao enfrentar as mentirosas retórica e ações da vanguarda local do atraso ambientalista para garantir os investimentos. Fez isto quando botou para a rua seus incompentes secretários do Meio Ambiente e presidente da Fepam, no momento em que fez aprovar a nova lei de zoneamento ambiental e quando deu as garantias exigidas pelos investidores. Ela completou a obra iniciada pelo governador Rigotto, que levou pra a Caixa RS toda a concepção da nova atividade de base florestal do RS, atraindo Aracruz, Stora Enso e VCP de uma só tacada.

. Agora falta a VCP anunciar sua mega-fábrica de celulose e talvez papel em Arroio Grande, Pelotas ou Rio Grande. Isto poderá ocorrer antes que a Stora Enso faça o mesmo.

 

Em http://www.polibiobraga.com.br/?PAG=ultimas_noticias_detalhe.asp?ID=46670


publicado por Ney Gastal às 23:44

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