Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

A derrota dos campos de futebol

Atenção, recomendo. Visite o blog de Nurit Bensusan. Muito bom. O texto a seguir veio de lá e serve como "tira-gosto". Bom mesmo é navegar por todo o seu conteúdo. Experimente. O endereço é http://oglobo.globo.com/blogs/nossoplaneta/.

 

Um campo de futebol a cada 10 segundos: essa é a taxa média de desmatamento na Amazônia nos últimos 20 anos. Imagine só, você vai ao cinema despreocupadamente, fica ali vendo o filme por duas horas, 120 minutos, foram-se 720 campos de futebol... Você pega um avião, daqui para Paris, 10 horas, 3600 campos de futebol... Você escova os dentes inocentemente, 2 minutos, 12 campos de futebol...O presidente dá uma entrevista sobre a Amazônia, 15 minutos, adeus para mais 90 campos de futebol... O governador do Mato Grosso questiona os dados de desmatamento de seu estado, elencando os motivos mais estapafúrdios, 22 minutos, lá se foram mais 132 campos de futebol... Uma partida de futebol, 90 minutos, 540 campos de futebol a menos na mais exuberante floresta do planeta...

 

Não sei se ainda somos o país do futebol, mas certamente quando se trata de campos de futebol destruídos, somos nós os campeões! O desmatamento, porém, apesar de absolutamente escandaloso, não parece mover corações e mentes. Esses continuam ligados na economia, na produção e no 'desenvolvimento' - o que quer que isso queira dizer. A crônica de uma morte anunciada - a da Amazônia, a continuar essa toada - emerge na mídia para logo submergir. Um ministro de meio ambiente após o outro promete medidas que dificimente poderá cumprir pois os corações e as mentes não estão interessados, para eles meio ambiente é uma questão periférica.

 

Surpreende sempre o cinismo refletido, por exemplo, nos questionamentos dos dados e na tentativa de responsabilizar índios e pequenos produtores. A elevação da taxa de desmatamento em si não surpreende, já podia ser vislumbrada após a manifesta indiferença de grande parte do governo e da sociedade aos indícios de aumento que vem sendo, sucessivamente, apresentados. E, claro, a situação tem tudo para piorar, os meses historicamente críticos para o desmatamento na Amazônia ainda estão por vir. Além disso, falta tudo: falta interesse, falta a comprensão do que significa o comprometimento dos processos naturais que ocorrem na floresta, falta fiscalização, falta criatividade, falta dinheiro e, acima de tudo, falta vergonha na cara.

 

Tradução: de que adianta ter a mais rica floresta do mundo se tudo que fazemos é tentar transformá-la num conjunto de plantações de soja e de pastos? Ou começamos já a tratar essa floresta como uma oportunidade - e não uma maldição, como muitos parecem crer - ou podemos começar a ensaiar o réquiem. A inspiração vem da Mata Atlântica...

Leu? Gastou uns 2 minutos? 12 campos de futebol...

sinto-me:
publicado por Ney Gastal às 21:51

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