Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Cadê a galinha? - Parte II

 "Ximbica" é empresário de sucesso em Porto Alegre, nem velho nem moço, nem de direita nem de esquerda, nem agitador nem acomodado. Um livre pensador. Claro que seu nome não é este, mas como, na posição que tem, poderia assinar certas coisas? Então virou "Ximbica", sabe lá Deus por que deste pseudônimo, para escrever aqui. 

 

Quando não se consegue achar a culpabilidade escrachada – caso do ladrão de galinhas – a alternativa é seguir o exemplo americano. Lá, depois de investigarem minuciosamente durante o tempo que for necessário, constroem-se inquéritos recheados de provas incontestáveis antes de apresentarem a denuncia ao juiz. Ou seja, desenham meticulosamente a galinha de um jeito tal que não possa ser confundida sob hipótese nenhuma. Tem penas, asas, bico, pés e até cheiro de galinha. Configurado o crime, mandam prender sem chances de hábeas, a não ser por verdadeiras fortunas calculadas conforme o patrimônio do réu. 

 

No caso do Dantas, por exemplo, a fiança seria alguma coisa na ordem de um bilhão de reais. Afinal é nessa esfera que sua fortuna e negócios anda, ou não? Por esse método o presidente do STF americano não precisa esgrimir sabedoria jurídica para deixar de prender um réu com culpa ainda não definitivamente formada. Ao prender o ladrão a charada já esta esclarecida. Se dúvidas restarem, são de somenos. Aqui, ao que parece, querem mais é fazer espetáculos pirotécnicos mesmo. Proclamar declarações do tipo; “hoje, nesse país, nenhum figurão esta a salvo”, “acabou-se a impunidade independentemente de classes sociais” ou “quem não quer ser preso e algemado, que ande na linha”.
 
Ora bolas.
 
Sabemos que os presos estarão livres e soltos que nem passarinhos antes mesmo que se pisque duas vezes. É muita hipocrisia prender sem legislação adequada. Onde se quer chegar? Se for para apressar reformas na lei e fazer com que a vergonha bata a porta de mais alguns de nossos ilustres falcatruas, tudo bem. Os meios podem acabar justificando os fins. Mas antes temos que combinar isso com os políticos, para que façam as modificações necessárias. Essa coisa da Policia Federal poder tudo é um magnífico exemplo. Mas e quando virarem o fio? Quando começarem, por conta dessa credibilidade toda, a cometer mais excessos e desmandos? Quando se investirem como guardiões do bem e do mal, onde vão parar nossas instituições?
 
Não seria a primeira vez que a historia nos daria esse tipo de exemplo. Câmeras da Globo acompanhando flagrantes na madrugada não é exatamente um procedimento ético. Pode até ser jornalisticamente defensável, mas pelo lado da policia falta muito para se justificar. Fica algo tipo assim, puna-se na largada mostrando imagens das prisões e ridicularizando os criminosos porque depois não haverá mesmo pena a cumprir. Julgamento de rito sumaríssimo e mídia altíssima. Formula perfeita para um país de leis imperfeitas.
 
Volto ao tema inicial. Construam a culpa de forma tão meticulosa quanto os rigorosos ritos processuais americanos e não deixaremos espaço para que a desfaçam. Como resultado, chegaremos à galinha incontestável, daquelas que faz co-co-ri-có e põe ovo.
publicado por Ney Gastal às 17:53

link do post | comentar | favorito

> Um pouco mais sobre mim

> pesquisar

 

> Agosto 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
25
26
27
28
29
30
31

> posts recentes

> Alemão - Parte I

> Alemão - Parte II

> Cadê a galinha? - Parte I...

> Cadê a galinha?

> Ortografia e atraso

> A força de quem não perde...

> A meleca nos atinge a tod...

> Terminou a temporada de b...

> Casamento à antiga

> Como um soluço causado pe...

> arquivos

> Agosto 2012

> Julho 2008

> Abril 2008

> tags

> todas as tags

> subscrever feeds